Originalmente publicado em 2013-09-01 00:17 no blog Patinete a vela.

Itinerário

Ontem, em um shopping abandonado na cidade de Reading, a pouco menos de meia hora de trem de Londres, participei de uma das experiências interativas mais alucinantes de que já tive chance de participar.

Tratava-se de um jogo chamado The Zombie Mall Experience, da Zed Productions. O shopping foi preparado como um cenário pós apocalipse zumbi, com atores representando zumbis e policiais. Um grupo de vinte sobreviventes recebia algumas instruções sobre as armas a serem usadas (escopetas de ar comprimido que disparavam bolinhas de plástico brancas) e sobre as missões a serem realizadas e depois éramos guiados pelo shopping pelos policiais, onde deveríamos cumprir as missões desviando ou “matando” zumbis. A sensação de imersão era incrível. Enquanto passávamos pelos corredores escuros, era impossível não sentir aquele frio na espinha toda vez que passávamos por alguma sala vazia. E o local era um shopping center, então tinha todo tipo de locações - um parquinho de criança (com piscina de bolinha!), escadas rolantes, lojas, - etc. Muito parecido com o Left4Dead!

Havia vários tipos de zumbis. Havia o zumbi médico, a zumbi velha, a policial, o palhaço (!!!) e o agente especial. Este último era um zumbi com colete à prova de balas e máscara de gás, que resistia a nossos disparos de tudo quanto é jeito. Consideramos ele invencível, por isso só fugíamos dele. Só no final soubemos que ele deveria ser derrubado com tiros nas pernas. Até foi adicionado o detalhe interessante de que havia entre os sobreviventes um ator infiltrado que foi uma das primeiras vítimas dos zumbis. Ele havia sido puxado em meio a gritos através de uma porta em um corredor escuro e depois tivemos a oportunidade de encontra-lo transformado.

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O jogo teve duas etapas. A primeira era o “story mode”, em que dois policiais nos guiavam por várias situações no shopping em que deveríamos completar algumas missões. As missões incluíam encontrar suprimentos médicos, depois resgatar uma maleta com informação secreta militar e levá-la até o teto do shopping, na expectativa de sermos resgatados por um helicóptero militar, só para descobrir então que o helicóptero não apareceria porque não éramos tão importantes para sermos resgatados. Em um momento desta fase fomos a uma sala de controle, onde através dos monitores pudemos observar como uma equipe de soldados entrava no shopping e era sobrepujada pela horda de zumbis. Houve até um “survivor mode”, em que durante cinco minutos tínhamos que sobreviver a um ataque contínuo de zumbis encurralados em um corredor sem saída. Não eram tantos zumbis assim para constituir uma horda, mas estes zumbis voltavam à vida por isso sempre havia zumbis fresquinhos para matar.

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A segunda etapa era o “free-mode”, no qual nós entramos no shopping sem os policiais e poderiamos andar à vontade. Neste modo o nosso objetivo era encontrar caixas com munição enquanto desviavamos dos zumbis.

Antes de começarmos o jogo recebemos algumas instruções de como deveriamos agir em equipe, e as dicas que recebemos foram realmente interessantes. É o tipo de coisa que você vê acontecendo nos filmes mas cuja importância você só entende quando vive na pele. Por exemplo, quando o grupo anda enfileirado quem está à frente não tem idéia do que acontece no final da fila, e quem está no final não tem idéia do que está na frente. O grupo tem que criar o hábito de avisar sobre todos os os obstáculos ou direções que o grupo deve tomar, para não pegar ninguém desprevenido. Então, quando o primeiro da fila decide descer uma escadaria ao fim do corredor escuro, ele murmura “Stairs down” para quem está imediatamente atrás, que irá repetir para quem está atrás, até chegar ao último da fila. Se quem está atrás está ciente de algum perigo (como por exemplo um zumbi invencível com colete à prova de balas que caminha inexorávelmente em direção ao grupo) e grita “RUUUUUUN”, então todo mundo tem que correr mesmo! E, ao atravessar um corredor cheio de salas escuras em ambos os lados, é reconfortante ao passar por estas salas saber que quem está à frente já checou que estavam vazias e que o grupo pode passar sem se preocupar.

É claro que o ato de matar os zumbis também era muito legal. Fomos instruídos a não tentar fazer headshots, pois isto deixaria os zumbis mais zangados (e garantiria expulsão do jogo para nós). Mas bastava dar um tiro na barriga dos zumbis que estes temporariamente cairiam no chão e ficariam lá imóveis. Pelo fato de se movimentarem muito lentamente, era possível passar correndo pelo meio deles, escolher um bom local e atirar. Aqui também havia uma dica para não gastar munição desnecessariamente tendo vários membros da equipe atirando simultaneamente. Sempre que alguém avistasse um zumbi, deveria gritar “Contact!” para alertar ao grupo, e quando alguém decidisse atirar deveria gritar “Engaging!” para que todos soubessem.

O grupo que participou era muito divertido. Acho que não tão surpreendentemente todo mundo que estava lá era da faixa etária dos 25 aos 35 anos. Havia vários casais e grupos grandes de amigos, inclusive um quarteto que decidiu matar zumbis com fantasias de ninja, sendo que um deles era uma tartaruga ninja. Havia uns dois ou três que levavam bem a sério a imersão, e agiam com seriedade como o se fossem soldados treinados, fazendo aqueles gestos que você vê nos filmes, tipo apontando com dois dedos para os olhos e depois em alguma direção. Como eu não fazia a menor idéia do que eles queriam dizer, eu acenava com a cabeça e depois fazia o que tinha vontade de fazer mesmo.

A experiência foi excelente e não consigo recomendar suficientemente para quem vier passar uma temporada na Inglaterra. Só é necessário observar o fato de que é necessário entender bem inglês (e com esse sotaque desgraçado que os ingleses têm isso é bem difícil), pois o coração de toda a experiência está em entender e ficar envolvido na história. Mais informações sobre o evento podem ser encontradas no site da Zed Events.

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